Coisas que eu não gosto
Eu não gosto de meninas que só tem amizade com outras meninas. Eu não gosto de peixe assado. Eu não gosto de Lucky Strike. Não gosto de acordar muito cedo, nem muito tarde. Não gosto de tirar esmalte da unha, nem de untar forma. Não gosto de amigo que não topa as coisas na hora. Não gosto de vestir roupas azuis.
Não gosto de amassar revista nova, não gosto de café doce ou fraco. Não gosto que mexam no meu rosto, não gosto que me cutuquem. Não gosto nem um pouco de Bossa Nova. Não gosto de gente preconceituosa, não gosto de Indies, não gosto de gente que critica a felicidade alheia. Definitivamente não gosto de dúvidas e não gosto de Madonna.
Eu não gosto de gente intolerante, eu não gosto de comédias românticas e não gosto de filme dublado. Eu não gosto de Gossip Girl. Não gosto de gente sem consciência, não gosto de dinheiro mal gasto. Não gosto de amigo que esquece o celular.
Não gosto de críticos mal informados, não gosto das minhas caixinhas de som. Não gosto de suco com leite. E eu não gosto de quem só bebe Heineken ou Stella Atoirs. Não gosto de gente rica e estúpida. Não gosto de gente estúpida em geral. Não gosto de derrubar as fotos do meu mural quando arrumo a cama.
Eu não gosto de religiosos fervorosos. E também não gosto de quem desrespeita a fé alheia. Não gosto de pensar em religião. Não gosto de CD. Não gosto de linha que quebra muito. Não gosto de costurar barra. E ainda não gosto muito de modelagem plana.
Eu não gosto de ser impedida de fazer o que eu quero. Eu não gosto de gente brega. Eu não gosto de bota plataforma. Eu não gosto bisnaguinha. Não gosto de gente desrespeitosa. Não gosto ignorância proposital. E, principalmente, eu não gosto de gente que não gosta de nada.
Escrito por Estela Carregalo às 18h24
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Minha vida em 20 músicas
Em menos de 20 dias completarei 18 anos. Época de aniversário é época de nostalgia e retrospectiva. Então, escolhi 20 músicas para ilustrar minha vida, tarefa difícil, mas amei escrever. As músicas estão em ordem cronológica, da minha infância até os dias de hoje. Cada uma retrata uma fase minha. E depois dos títulos, seguem os links para ouvi-las no YouTube. Lá vai:
This is Halloween – Danny Elfman (The Nightmare before Christmas) (ouça aqui) Não tenho como falar sobre essa música sem ser repetitiva. Acredito que é a principal música da minha infância, e sempre que a escuto me bate uma nostalgia boa e sensação de conforto incrível. É uma lembrança que eu quero ter sempre comigo (e nem tenho como escapar disso, graças à minha tatuagem do Jack).
Sympathy of the Devil – Rolling Stones (link) Sim, essa música está em segundo lugar porque também faz parte da minha infância. Eu nasci ouvindo Rolling Stones porque minha mãe é absolutamente viciada e alucinada por eles. Cresci vendo o Mick Jagger rebolando nos VHS de shows que minha mãe tinha, e minha música preferida era Sympathy for the Devil. Ainda bebê eu pedia pra minha mãe colocar essa música no VHS. Pois é.
Things I’ll Never Say – Avril Lavigne (link) Pulamos diretamente para a minha pré-adolescência. Sim, eu amava Avril Lavigne. Avril e Nirvana eram tudo que eu mais amava no mundo, tanto que fiquei em dúvida entre colocar uma música do Nirvana ou dela. Fiquei com Things I’ll Never Say porque acho que fazia mais sentido pra mim. Eu passava um dia inteiro ouvindo essa música no meu quarto, desenhando, vendo minhas revistas com o Daniel Radcliffe na capa... Meus 12 anos. :)
Come What May – Ewan McGregor e Nicole Kidman (Moulin Rouge) (link) Preciso explicar? Não tenho muito que dizer, Moulin Rouge faz parte de mim (literalmente até, outra tatuagem), e assisti com uns 13 ou 14 anos. Sou absolutamente apaixonada até hoje.
Sonne – Rammstein (link) Para definir minha fase metaleira. Pensei em colocar Epica, Iron Maiden, Slayer, que eu fui alucinada também, mas acho que colocando o Rammstein aqui essa fase já se resume. Era minha banda preferida, foi por um tempo. As mínimas coisas que eu sei de alemão é devido a eles.
Too Old To Rock’n Roll, too Young to Die – Jethro Tull (link) Minha música preferida do Jethro, que sempre foi e sempre será uma das bandas do meu coração. Essa música é lindíssima demais e também faz parte de mim, pra sempre. Uma das principais trilhas sonoras da minha vida, certeza.
Girl Anchronism – Dresden Dolls (link) Já pensei até em tatuar esse nome. Essa música foi por muito tempo minha definição em forma de música. Dresden Dolls sempre vai estar na minha lista de amados, Amanda Palmer sabe o que faz, e faz bem. E só pra constar, Half Jack também seria uma música muito, muito minha.
Stella Was a Diver and She Was Always Down – Interpol (link) Essa é do comecinho do meu primeiro ano no Camargo Aranha. E do começo do meu namoro com o Heinz. Impossível ouvir essa música sem lembrar dessa época, e é mais uma nostalgia boa. :)
Music When the Lights Go Out – The Libertines (link) Outra música do meu primeiro ano. Liiiinda, não poderia deixar de citar aqui. Libertines sempre comigo!
Raindrops – Regina Spektor (link) Coloquei Raindrops porque é uma das minhas preferidas, mas vejam essa como uma inclusão de todas, todas as música da Regina. Todas. Mais explicações, vide último post.
Touch Me – The Doors (link) Eu amo essa música, eu amo Doors, eu amo o Jim Morrisson e eu amo Heinz, e essa música me lembra dele. Certo?
Reptilla – The Strokes (link) Noites insanas, bebedeira, festas, amigos, felicidade. Essa música me lembra tudo isso. Acho LINDO! Sério, Reptilla já tocou em tantos momentos incríveis da minha vida, que nem sei explicar. Sou apaixonada por essa música, e YEAH the night is not over!
Money, Success, Fame, Glamour – Party Monster (link) A música tema do meu alter ego drag queen Shirley Superstar. Também tocou em momento looouuucos da minha ainda curta vida, e acho divertidíssima. Party Monster, outro dos meus filmes-amores.
Gronlandic Edit – Of Montreal (link) Música tema dos meus amigos, da minha Galerinha. Música que me faz lembrar dos meus amores, dos bons momentos juntos e da nossa eterna amizade mais do que linda. Mesmo sendo uma música animada e muuuuito legal, me emociona muito, sério.
Elephant Gun – Beirut (link) Uma das músicas mais lindas que já ouvi, coloco nessa posição porque foi mais ou menos quando escutei pela primeira vez. Mas deixo claro que essa música será ainda mais importante na minha vida, tenho grandes planos pra ela. E não, não vou falar.
Ball and Biscuit – White Stripes (link) Eu sempre gostei de White Stripes. Mas minha paixão mesmo só foi despertada há pouco tempo. Não sei mais viver sem os solos de guitarra do meu amado e idolatrado Jack White. Coloco Ball and Biscuit porque é minha preferida, mas conte também essa posição como um combo de todas, toooodas as músicas do White Stripes.
Real Wild Child – versão do Iggy Pop (link) Nem preciso dizer muita coisa, tatuaria na minha testa esse nome. Amo a música, amo o Iggy Pop, amo a letra, amo tudo.
Ne Me Quitte Pas – Jacques Brel (link - assista e chore) Acredito que seja a música mais linda do mundo. E na versão do próprio Jacques Brel, a original, claro. É a música com mais emoção, mais sentimento que eu já escutei. A letra mais linda, mais verdadeira e apaixonante. E cantada pelo Brel, tudo faz mais sentido. Minha música preferida.
Airbag – Radiohead (link) Essa é muito recente. Descobri o quanto Radiohead é incrível ainda esse ano, e cara, sem palavras. Amor, amor.
Summertime – versão da Janis Joplin (link) É a que eu mais estou amando atualmente, Janis e sua voz deliciosamente bêbada e rouca, a guitarra, a música em geral... É tudo.
Escrito por Estela Carregalo às 19h29
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Meu amor por Regina

Hoje comprei os ingressos para dois dias do festival SWU. O que significa que no dia 10 de outubro assistirei ao show da minha amada e doce Regina Spektor. E por isso resolvi tirar a poeira do blog explicando brevemente o porquê dos meus olhos marejados no momento em que o moço da bilheteria me entregou os ingressos...
Acho que foi há quatro anos. Descobri Regina pela televisão, um clipe. Anotei apressada no bloco que fica ao lado da TV “Regina Spektor”, e coloquei o papel na mesa do computador. A partir daí, a cada CD que eu ouvia meu amor só aumentava. Poucos meses depois, as músicas de Regina já tinham se tornado parte de mim. Há coisas que não lhe pertencem, mas seu amor por elas as tornam parte de você.
De lá pra cá, isso se mantém no mesmo nível de sempre. Suas músicas são insubstituíveis para mim, e necessárias em muitos momentos. Sei que pode parecer exagero, ou obsessão, mas é o puro carinho. Carinho pela trilha sonora dos anos que eu mais amadureci, dos anos que a cortina da minha ópera se abriu. Quero sempre que mais e mais pessoas ouçam Regina Spektor, e sintam o mesmo conforto que eu sinto ao ouvir sua voz e seu piano. Não gosto de apropriação do que não é seu e nem sequer foi feito para você. Gostaria de compartilhar isso, algo que faz tão bem para mim não pode ser mantido em segredo.
Regina, minha querida, obrigada pela força que sempre me deu, sem sequer saber disso. Nos vemos em outubro.
Escrito por Estela Carregalo às 00h02
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Nós mulheres do século XXI
Mulheres se reprimem. Começo esse post com o meu pensamento, duro e cru, que nem todas concordam. Divaguemos, então, caro leitor...
Vivemos em um mundo ocidental onde mulheres já lutaram por direitos iguais entre os sexos. Onde sutiãs foram queimados e leis em prol foram criadas. Onde homens e mulheres desejam igualdade acima de qualquer coisa. E infelizmente o que mais há nesse mundo são mulheres que não se vêem livres para pensar, agir e falar sobre e como bem entenderem.
Sim, onde quero pisar é exatamente no calo de qualquer mulher: sua liberdade e consciência sobre ela mesma. Sinto (e vejo) que há inúmeros limites e barreiras dentro delas mesmas, e que nem elas próprias conseguem enxergar e enfrentar isso.
Para entender a questão, vamos aos homens. Homens sentem-se livres e desimpedidos. Eles podem seguir a carreira que bem entenderem, ter os amigos que bem entenderem, assim como as namoradas que quiserem e quantas quiserem. Podem manter conversas sobre inúmeros assuntos e responder perguntas claramente. Mas será que as mulheres também sentem toda essa liberdade?
Paremos para pensar. A maior e eterna incógnita para os queridos humanos do sexo masculino são as prezadas e charmosas mulheres. Mas por que existe essa constante dúvida na cabeça dos homens quanto à posição da mulher a frente dos assuntos? Não seriam as próprias que causam essa confusão? Que criam tabus e caraminholas nas cabecinhas de nossos pobres coitados machões? Creio que sim.
Sinto-me cansada, junto com os homens, de tanto segredo. De tanto pensamento reprimido, de tanto mistério. Não somos criaturas sobre humanas, temos altos e baixos, prós e contras. Não somos o ser divino que as poesias entoam. Sentimos tudo que vocês homens sentem. Temos as mesmas necessidades, que são sutilmente demonstradas de maneira diferente talvez, mas sem todo esse misticismo que nos rodeia, e que foi criado graças a nós mesmas.
Sejamos francas, mulheres! Que mal há em abrir sua cabeça para o mundo? Que mal há em se revelar tão humana quanto os homens? Que também somos toscas, que não somos perfeitas, que temos tesão e necessidades práticas? Que tal falar abertamente sobre sua sexualidade hoje? Que tal romper todas suas barreiras de pensamentos, e pensar e falar sobre tudo que você nunca falou? Não abra mão de sua feminilidade, apenas de suas limitações. Quebrar a barreira entre homem e mulher, poder ter assuntos em comum e ideias para serem trocadas e compartilhadas. Não parece bom?
Não quero ensinar nada a ninguém, não quero generalizar e não quero passar por cima de nenhum pensamento alheio. Apenas sinto tudo isso convivendo com homens e mulheres, e conversando a fundo com ambos. Vejo que a verdadeira liberdade e igualdade (em termos sexuais, sociais etc) só vão existir para as mulheres quando isso partir delas mesmas. Precisamos sentir que somos muito mais parecidas com os homens do que todos imaginam e acabar de vez com todas essas ideias mesquinhas, hipócritas, desiguais e, infelizmente, femininas. (se o link para os comentários não aparecer abaixo, dê CTRL+F5)
Escrito por Estela Carregalo às 02h37
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